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Gasto com previdência no Brasil é maior que com saúde e educação

Professor de economia fala sobre a reforma da previdência em live pelo Facebook

22 de Maio de 2019 - Economia

 

O professor de Economia e decano do Centro de Ciências Sociais da PUC-Rio, Luiz Roberto Cunha, foi o entrevistado desta quarta-feira, dia 22, na live transmitida pela página da CNseg no Facebook, abordando “a Reforma da Previdência na vida das pessoas”, como parte das ações da Confederação das Seguradoras na 6ª Semana Nacional de Educação Financeira.

Segundo Luiz Roberto Cunha, a equalização entre despesas e receitas é o maior desafio do Governo atualmente, visto que gasta mais do que arrecada. E entre as despesas do Governo, é a previdência que mobiliza a maior parte dos recursos. "O gasto com previdência pública no Brasil é muito maior que com educação, saúde e obras de infraestrutura, por exemplo”, afirmou.

Não bastasse isso, outros fatores potencializam o problema. Um deles é o envelhecimento populacional. Apesar de ainda possuirmos uma população com média de idade jovem, o Brasil já gasta com a previdência, proporcionalmente em relação ao PIB, o mesmo que países com populações bem mais velhas, como Japão e Alemanha. E isso é ainda mais delicado nesse sistema de previdência atual, que utiliza o modelo de repartição, onde são os mais novos e produtivos que financiam as aposentadorias dos mais velhos. O outro fator de agravamento são as mudanças que ocorrem no mercado de trabalho brasileiro, onde cresce o número de trabalhadores na informalidade, que não contribuírem para a previdência pública.

E é justamente para contornar esses problemas que a proposta de reforma da previdência do governo prevê que uma parte da contribuição se dê por um sistema de capitalização, ou seja, que parte do dinheiro poupado pelo indivíduo seja utilizado para arcar com as despesas de sua própria aposentadoria no futuro. Luiz Roberto Cunha informou, entretanto, que os pontos da proposta do governo que tratam do sistema de capitalização ainda não estão bem detalhados e, portanto, poderiam receber a contribuição da proposta de reforma da previdência, elaborada pela FIPE/USP, em parceria com a FenaPrevi e outras instituições, que é bastante detalhada em relação a essa ponto.

Mas, de acordo com o professor, além da equalização entre despesas e receitas, o governo também precisa buscar uma maior eficiência na aplicação de suas receitas. "Estamos na 125ª posição no ranking de facilidade para se fazer negócios. Até pagar imposto aqui é complicado. O Brasil precisa ser mais eficiente", alertou.

Já ao fim da entrevista, Luiz Roberto Cunha afirmou que, independentemente da reforma aprovada, o sistema de previdência privada tem um papel importante a desempenhar, sendo uma relevante alternativa para aqueles que não conseguirão ser totalmente atendidos pelo sistema de previdência pública.

Após a entrevista transmitida pelo Facebook da CNseg, o professor Luiz Roberto Cunha ainda ministrará, a partir das 14 horas, palestra presencial na sede da CNseg, no Rio de Janeiro, abordando o mesmo tema. E nesta quinta-feira, dia 23, às 10 horas, a entrevista pelo Facebook será com a advogada e professora de Direito do Consumidor Maria Stella Gregori, que falará sobre planos de saúde.

As ações da CNseg na 6ª Semana Nacional de Educação Financeira vão até a próxima sexta-feira, dia 24, e podem ser visualizadas clicando-se aqui.

Assista abaixo a íntegra da entrevista:

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